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ESPORTE E DISCIPLINA

Surubim Fight School forma atletas e promove desenvolvimento físico e mental

Escola de lutas oferece Jiu-Jitsu, Muay Thai, Boxe, MMA e Funcional Fight, promovendo disciplina, saúde e formando atletas para competições

Publicado em 10/04/2026 às 12:00

Surubim Fight School ajuda na formação de atletas e na valorização da disciplina, respeito e empenho esportivo (Foto: Divulgação / Surubim Fight School)

Em Surubim, as artes marciais têm se consolidado como uma importante ferramenta de transformação social, disciplina e desenvolvimento pessoal. Esse trabalho é realizado pela Surubim Fight School, escola de lutas que reúne atualmente cerca de 150 alunos, entre crianças, jovens e adultos, oferecendo treinamento em modalidades como Jiu-Jitsu, Muay Thai, Boxe e atividades funcionais voltadas para defesa pessoal e preparação física.

Mais do que um espaço de treinamento, o projeto se define como uma escola de formação esportiva e humana. Segundo o professor Deivid José, que comanda a escola, a proposta vai além do modelo tradicional de academias. “Diferente de uma academia ou de um centro de treinamento, aqui a gente trabalha como uma escola. Temos disciplina, material didático, uniformização e divisão de turmas por classes e faixas etárias. Existe todo um processo de formação”, explica.

As turmas são organizadas de acordo com a idade e o nível dos alunos, com categorias que vão desde a primeira infância até o público adulto. Entre as atividades estão o Jiu-Jitsu Baby, para crianças a partir de três anos, além das turmas Kids 1, Kids 2 e Kids 3, juvenis e adultos.


Formação desde a infância

A professora Delane Aquino, profissional de Educação Física e também atleta, é responsável principalmente pelas turmas infantis e pelo trabalho com o público feminino. Ela explica que a divisão por idade é essencial para adaptar o ensino ao desenvolvimento físico e cognitivo das crianças.

“O Jiu-Jitsu é uma arte marcial de origem japonesa e carrega muitos valores como respeito, disciplina, hierarquia e ética. Antes mesmo de aprender uma técnica, a criança aprende a se comportar no tatame, a respeitar o colega e a desenvolver autocontrole”, afirma.

De acordo com ela, a arte marcial vai muito além da luta. O Jiu-Jitsu, cujo nome significa “arte suave”, utiliza a técnica e a estratégia para superar a força física. “É uma modalidade em que uma pessoa mais fraca ou menor pode mobilizar um adversário maior através da técnica. Além do condicionamento físico, trabalha muito a parte mental, a autoconfiança e o controle emocional”, destaca.


A própria trajetória de Delane com o esporte começou por motivos psicológicos. “Eu comecei no Jiu-Jitsu para trabalhar a ansiedade. Não me identificava com outros esportes e encontrei nessa arte marcial uma forma de desenvolver equilíbrio mental. Hoje posso dizer que o Jiu-Jitsu transformou minha vida”, relata.

Estilo de vida e defesa pessoal

Além da vertente esportiva, muitos alunos procuram a escola para aprender defesa pessoal e adotar o estilo de vida das artes marciais.

Segundo Deivid José, o espaço trabalha tanto com modalidades de grappling — lutas de agarramento, como Jiu-Jitsu e Judô — quanto com modalidades de strike, que envolvem golpes de impacto, como Boxe e Muay Thai. “O Jiu-Jitsu com quimono tem um foco mais técnico e competitivo. Já o sem quimono também trabalha muito a defesa pessoal, que é algo que pode ser aplicado no dia a dia”, explica.

A rotina de treinos começa cedo. A escola funciona das 6h às 10h da manhã e das 15h às 22h, com aulas para diferentes públicos ao longo do dia.

Entre as atividades estão aulas de Jiu-Jitsu, Boxe, preparação física e o Funcional Fight Kids, voltado para crianças que desejam iniciar nas artes marciais, mas ainda estão desenvolvendo coordenação motora e consciência corporal. “Antes de aprender a dar um soco ou um chute, a criança precisa aprender a saltar, agachar, ter equilíbrio e controle do corpo. Trabalhamos tudo isso primeiro”, explica Deivid.


Participação em competições

A Surubim Fight School também participa regularmente de competições estaduais, nacionais e internacionais. Recentemente, a equipe conquistou resultados importantes em um campeonato internacional realizado em Salvador, onde se tornou tetracampeã do evento. E no último dia 14 de março, Delane Aquino conquistou mais uma etapa do Campeonato Pernambucano, no ginásio do Geraldão.

Mesmo com bons resultados, participar dessas competições exige esforço financeiro significativo. “Para disputar um campeonato internacional na Bahia, por exemplo, a gente gastou cerca de mil reais por pessoa, contando inscrição e transporte. Em competições no Sul do país esse valor chega a três mil reais”, relata Deivid.

Apesar das dificuldades, os professores destacam que a participação em campeonatos é fundamental para a evolução dos atletas. “A competição trabalha muito a parte mental. Antes de lutar contra o adversário, você luta contra a sua própria mente, contra o medo e a insegurança. Isso é algo que o atleta leva para a vida”, explica Delane.

Atleta número 1 do Brasil

Entre os resultados mais recentes da equipe está a conquista de destaque da própria professora Delane Aquino, que atualmente ocupa o primeiro lugar no ranking nacional da sua categoria, após resultados expressivos em competições oficiais.

Ela também é vice-campeã sul-americana de Jiu-Jitsu e beneficiária do programa Bolsa Atleta, incentivo federal destinado a esportistas de alto rendimento. “A bolsa ajuda, mas não cobre todos os custos. Para conseguir esse benefício, a gente precisa competir bastante e se manter no ranking”, explica.

Uma família dentro e fora do tatame

A escola de lutas de Surubim também faz parte de uma equipe maior de Jiu-Jitsu, a The Brothers Brasil Jiu-Jitsu, considerada uma das maiores do estado de Pernambuco.

A rede reúne academias e atletas espalhados por diversas cidades do Brasil e até do exterior. “A ideia é justamente essa irmandade. Onde você estiver, sempre vai ter um lugar para treinar e pessoas dispostas a ajudar”, explica Deivid. Segundo ele, essa conexão fortalece o desenvolvimento técnico dos alunos e amplia as oportunidades de competição.

Levando o nome de Surubim para o Brasil

Mesmo enfrentando dificuldades de apoio e patrocínio, os professores fazem questão de representar a cidade nas competições. “Em todos os campeonatos a gente leva a bandeira de Surubim. No nosso quimono também está estampado o nome da cidade. A gente sempre faz questão de dizer de onde veio”, afirma Deivid.


Para ele, divulgar o esporte também é uma forma de inspirar novos atletas. “Nosso objetivo é mostrar para os alunos até onde eles podem chegar. A gente compete para dar exemplo, para mostrar que é possível evoluir com dedicação e disciplina.”

Projeto social em planejamento

Além das atividades regulares, a escola estuda a criação de um projeto social com aulas gratuitas para crianças e adolescentes, voltado principalmente para jovens em situação de vulnerabilidade. A ideia é unir o esporte com acompanhamento educacional. “A gente quer que essas crianças também tenham compromisso com a escola, boas notas e comportamento. O que elas aprendem no tatame precisa refletir na vida”, explica Delane.

Para os professores, o objetivo principal das artes marciais não é apenas formar atletas, mas formar cidadãos. “O Jiu-Jitsu ensina disciplina, respeito, coragem e autocontrole. São valores que a pessoa leva para o resto da vida”, conclui.


SURUBIM FIGHT SCHOOL

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