Portal da Cidade Surubim

ELEIÇÕES 2026

Redes sociais e inteligência artificial impõem novos desafios à campanha eleitoral de 2026

Felipe Ferreira Lima analisa mudanças na disputa eleitoral, polarização em Pernambuco, comportamento do eleitor e desafios para a Justiça nessas eleições

Publicado em 30/08/2026 às 11:00

O advogado e cientista político Felipe Ferreira Lima trouxe pontos importantes no debate sobre o processo eleitoral de 2026 (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

A campanha eleitoral de 2026 começa a ganhar força em um cenário no qual as redes sociais assumem cada vez mais protagonismo, enquanto o avanço da inteligência artificial amplia as preocupações com desinformação e manipulação de conteúdos. As mudanças na forma de conquistar o eleitor, somadas à polarização política e aos temas que devem dominar o debate eleitoral, foram analisadas pelo advogado e cientista político Felipe Ferreira Lima, em entrevista concedida nesta sexta-feira (28 de agosto) ao programa Café com Notícias, da Rádio Surubim FM.

Para Felipe, a campanha tradicional nas ruas continua relevante, mas divide espaço com uma disputa permanente no ambiente digital. As redes sociais passaram a funcionar não apenas como ferramentas de divulgação, mas também como espaços de formação de opinião, mobilização, publicidade e confronto de narrativas políticas.

“Hoje, nós temos as redes sociais como campo de opinião, como campo de campanha, como campo de patrocínio, de impulsionamento, cada vez mais forte, cada vez mais presente”, afirmou.

Inteligência artificial entra no centro das preocupações

Entre os principais desafios das Eleições 2026, Felipe destaca o avanço da inteligência artificial, especialmente pela possibilidade de utilização da tecnologia para produzir conteúdos manipulados com alto grau de realismo. Durante a entrevista, ele chamou atenção para as chamadas deepfakes, que podem reproduzir imagem, voz e gestos de uma pessoa para criar vídeos ou áudios falsos, com potencial para interferir no debate eleitoral.


Esse novo cenário, segundo Felipe, exige maior capacidade de fiscalização e adaptação por parte da Justiça Eleitoral, que vem buscando atualizar suas normas e mecanismos diante das transformações tecnológicas. “O grande desafio hoje é a Justiça conseguir fiscalizar essa arena virtual e a gente se acostumar a esse novo modelo de campanha, que a cada eleição tem uma novidade diferente”, comentou.

Pernambuco vive cenário de forte polarização

No cenário estadual, Felipe Ferreira Lima avalia que Pernambuco atravessa uma polarização política particularmente intensa. Ele comparou a atual conjuntura com a eleição de 2022, quando o Estado apresentou várias candidaturas competitivas ao Governo de Pernambuco. Para o cientista político, a concentração da disputa pelo Executivo estadual também produziu reflexos sobre a corrida ao Senado, que reúne diferentes candidaturas e articulações políticas.

“A gente vive em Pernambuco uma polarização ainda mais exacerbada que no Brasil”, avaliou. Segundo Felipe, nomes que poderiam ocupar o espaço de uma alternativa na disputa pelo Governo do Estado acabaram direcionando suas atenções para o Senado.


Sobre o comportamento dos eleitores, ele avaliou que a escolha do voto combina identificação política e emoção com uma postura mais pragmática desenvolvida a partir da experiência acumulada em sucessivas eleições. “Hoje nós temos uma espécie de combo, trazendo essas duas situações”, afirmou, ao explicar a presença do pragmatismo e da emoção na decisão do eleitor.

Economia e segurança devem pautar disputa eleitoral

Além das estratégias de campanha, Felipe apontou economia e segurança pública entre os temas com potencial para ocupar espaço central no debate eleitoral. A segurança ganha importância diante da preocupação com a atuação de facções criminosas em diferentes estados, enquanto a economia permanece como uma pauta decisiva por estar diretamente relacionada ao orçamento familiar, aos preços e às condições financeiras da população.

Felipe também citou a participação das mulheres e o combate à violência contra a mulher como questões que devem aparecer nas propostas dos candidatos. Ao concluir a entrevista, avaliou que a Justiça Eleitoral tem procurado aperfeiçoar os instrumentos destinados à segurança e à transparência do processo, mas destacou que o combate à desinformação e o acompanhamento do avanço da inteligência artificial estarão entre os maiores desafios das Eleições 2026.

Fonte: Portal da Cidade Surubim

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