INDÚSTRIA TÊXTIL
Pesquisa aponta que 81% dos empresários veem fim da "Taxa das Blusinhas" como prejuízo
Levantamento do ICETEC mostra preocupação com concorrência internacional, empregos e cobra medidas de apoio ao Polo de Confecções
Publicado em 29/07/2026 às 19:00
A revogação da tributação sobre importações de pequeno valor, conhecida como "Taxa das Blusinhas", é vista com preocupação pela maioria dos empresários do Polo de Confecções de Pernambuco. É o que revela uma edição especial do Índice de Confiança do Empresário do Setor Têxtil e de Confecções (ICETEC), divulgada pelo Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), em parceria com a Macro BI Consultoria.
Segundo o levantamento, 81% dos empresários avaliam a mudança como negativa ou muito negativa para o setor. A pesquisa também mostra que 90,5% dos entrevistados conhecem a alteração regulatória e 78,6% afirmam ter alto ou médio nível de conhecimento sobre os impactos da medida.
Para 83,3% dos confeccionistas, o fim da tributação deverá aumentar a concorrência com produtos importados. Entre os principais impactos esperados estão a redução das vendas (33,3%), a pressão para queda dos preços no mercado nacional (31%) e a diminuição das margens de lucro (19%).
O estudo também indica que apenas 31% das empresas se consideram preparadas para enfrentar esse novo cenário competitivo. Já 66,6% afirmam estar apenas parcialmente preparadas ou pouco preparadas para competir com o aumento das importações.
Produção e empregos em risco
Os reflexos da medida também preocupam no campo da produção e do emprego. Metade das empresas entrevistadas pretende reduzir o volume de produção nos próximos meses.

Em relação ao mercado de trabalho, 61,9% dos empresários preveem impactos negativos. Desse total, 35,7% afirmam que devem desacelerar ou suspender novas contratações, enquanto 26,2% admitem a possibilidade de demissões. A redução do quadro de funcionários aparece, inclusive, como a principal estratégia de sobrevivência para 33,3% das empresas.
Setor cobra apoio do Governo
Diante do novo cenário, 95,2% dos empresários defendem a adoção de medidas de apoio por parte do poder público. Entre as principais demandas estão a redução da carga tributária (52,4%), linhas de crédito para capital de giro (47,6%), fortalecimento dos centros de compras do Polo (38,1%), incentivos à indústria local (28,6%), investimentos em inovação tecnológica (26,2%) e programas de incentivo às exportações (21,4%).
Na avaliação do diretor-presidente do NTCPE, Pedro Miranda, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas para preservar a competitividade da indústria regional. "O Polo de Confecções é um motor socioeconômico vital para Pernambuco. Os resultados do ICETEC reforçam a necessidade urgente de combinarmos inovação, produtividade e políticas que equilibrem as regras do mercado para preservar a competitividade e os empregos da nossa região", afirmou.
Miranda também destacou que o Governo de Pernambuco criou uma agenda estratégica em conjunto com representantes do setor para minimizar os impactos da mudança e que o NTCPE participa das discussões voltadas ao fortalecimento da indústria de confecções diante do avanço dos produtos importados comercializados em plataformas de comércio eletrônico.
Fonte: Com informações da Assessoria do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE)
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