Portal da Cidade Surubim

CULTURA POPULAR

Legado de Noé da Ciranda segue vivo com família e o grupo Ciranda Rosa Branca

Após sua morte em 2025, tradição criada no Diogo ganha força com filhos, netas e novos projetos para manter a ciranda viva em Surubim e região

Publicado em 07/04/2026 às 20:00

Ciranda Rosa Branca leva para o público a poesia e o ritmo que marcou a vida de Noé da Ciranda (Foto: Prefeitura de Surubim)

A música de Noé da Ciranda continua ecoando forte no Agreste pernambucano, mesmo após a sua morte, em setembro do ano passado. Mais do que saudade, o que ficou foi um legado cultural que agora é conduzido por filhos, netas e integrantes da comunidade por meio da Ciranda Rosa Branca — grupo idealizado pelo próprio mestre e que hoje representa a continuidade de sua história.

À frente do trabalho está o filho, Agaci Souto, que reforça o compromisso da família em manter viva a tradição. “A gente pretende seguir com o grupo firme, com os projetos que meu pai tinha, que era fazer a cultura no lugar onde ele nasceu, no Diogo. Os músicos abraçaram a causa junto com a família e a gente pretende manter esse legado por muito tempo”, afirma.


Segundo ele, a decisão de continuar foi motivada por um desejo claro deixado por Noé. “Ele sempre dizia para a gente não deixar a ciranda morrer, que a semente não podia se perder”, relembra.

A Ciranda Rosa Branca nasceu como um sonho antigo do artista. Ainda nos anos 1980, Noé chegou a iniciar atividades com a ciranda, realizando apresentações no litoral pernambucano, em locais como Pitimbu e Praia Azul. No entanto, a rotina intensa como mestre de obras o afastou temporariamente da cultura. Foi apenas a partir de 2017, já aposentado, que ele retomou o projeto com mais dedicação — compondo, escrevendo e fortalecendo o grupo que viria a se tornar referência na região.

Durante esse período, Noé participou de associações culturais, integrou movimentos de cirandeiros em cidades como Carpina e levou sua arte a eventos importantes, como o Festival de Inverno de Garanhuns. Também deixou registros audiovisuais, como o curta-metragem, produzido pelo cineasta João Marcelo, que ampliou ainda mais o alcance de seu trabalho.

Hoje, a chamada “terceira geração” da ciranda já começa a ganhar forma. Além de Agaci, participam da continuidade o outro filho, Cristiano e as netas Kailah Rebeca, Crisneide Maria e Crislaine, que ajudam a manter o grupo ativo e conectado com o público.


O reconhecimento ao legado também veio em vida e se fortaleceu após sua partida. Durante o Carnaval deste ano, Noé foi homenageado pela Prefeitura de Surubim — um momento marcante para a família. “Foi muito emocionante ver o reconhecimento dele como artista na própria cidade. Nas escolas, as crianças trabalharam a história dele, dançaram ciranda e coco. Foi lindo ver o interesse e o respeito”, destaca Agaci.

Mais do que apresentações, o grupo tem planos concretos para o futuro. Entre eles, a criação de aulas de ciranda voltadas para crianças da comunidade do Diogo, ensinando percussão, composição e poesia — práticas que o próprio Noé já realizava e agora está sendo seguido pela neta Kailah Rebeca, que é professora e que estará nesse trabalho cultural.

A iniciativa também prevê ações voltadas para idosos. “A gente quer continuar o que ele fazia. A ciranda não tem idade, é para criança, jovem e idoso. Nossa agenda está aberta e precisamos do apoio da cidade e da região para manter esse legado”, reforça Agaci, reforçando que o grupo está na busca por apoio institucional e patrocínios para ampliar suas atividades.

Entre memória e continuidade, a ciranda de Noé segue cumprindo seu papel: unir gerações em roda, ao som da cultura popular nordestina. Em Surubim, a semente plantada pelo mestre não apenas resiste — ela continua florescendo.


Fonte: Portal da Cidade Surubim

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp