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MEMÓRIA

Historiador relembra trajetória de Surubim e defende preservação da memória local

Professor Luiz Antônio Medeiros participou do Café com Notícias e destacou personagens, economia, cultura e desafios às vésperas do centenário do município

Publicado em 11/09/2026 às 22:33
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Professor Luiz Antônio Medeiros trouxe fatos relevantes sobre a história de Surubim em entrevista para o Café com Notícias (Foto: Portal da Cidade Surubim)

No dia em que Surubim celebrou os 98 anos de emancipação política, a história do município ganhou espaço no programa Café com Notícias, da Rádio Surubim FM. O professor, historiador e escritor Luiz Antônio Medeiros participou de uma entrevista especial e relembrou personagens, atividades econômicas, manifestações culturais e acontecimentos que ajudaram a construir a identidade surubinense.

Durante a conversa, Medeiros ressaltou que compreender a trajetória do município também significa reconhecer o trabalho de diferentes gerações. “Surubim, para mim, é uma cidade extraordinária, porque as pessoas que têm alguma coisa a ver com a cidade fazem e fazem muito bem”, afirmou.

Entre os personagens lembrados pelo historiador está Monsenhor Luiz Ferreira Lima, apontado por ele como uma liderança que incentivava o surgimento de novos líderes. Medeiros também citou Didimo Gonçalves Guerra, Mário Henriques de Farias e o ex-senador Antônio Farias, destacando a importância de reconhecer contribuições, independentemente das divergências políticas existentes em cada época.

Do algodão para o mundo

Um dos momentos da entrevista foi dedicado à importância econômica que o algodão teve para Surubim. Segundo Luiz Antônio, o município viveu um período de forte produção e beneficiamento do produto, com cargas seguindo para o Recife e posteriormente sendo exportadas. “O algodão nosso era descarregado no porto e dali viajava para a Holanda, para cidades da Europa. Muitas roupas que o mundo vestiu foram do algodão de Surubim”, contou.

Com as transformações da indústria têxtil e a expansão dos tecidos sintéticos, essa atividade perdeu espaço. Ainda assim, Medeiros considera o ciclo algodoeiro uma etapa fundamental para compreender a formação econômica de Surubim.


Vaquejada, festas e identidade cultural

Na avaliação do professor, não é possível contar a história cultural de Surubim sem mencionar a vaquejada. “A gente tem que colocar na cultura a Vaquejada de Surubim. A vaquejada era famosa e, a cada ano, Surubim atraía mais e mais pessoas”, destacou.

Luiz Antônio também recordou a importância das exposições de animais, dos festejos juninos, do carnaval, do forró e das festas religiosas. Ao falar sobre personalidades surubinenses, citou Abelardo Barbosa, o Chacrinha, e o compositor Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba, que fez frevos maravilhosos para Pernambuco e para o Brasil”, ressaltou.

Outro aspecto destacado foi a antiga extensão territorial de Surubim. Luiz Antônio lembrou que localidades posteriormente emancipadas integraram o município, entre elas Casinhas e Vertente do Lério. “Surubim era um município muito grande”, afirmou.

Medeiros também relembrou uma das versões sobre a origem do nome da cidade. Segundo a tradição histórica mencionada por ele, a denominação estaria relacionada a um boi malhado existente na antiga propriedade de Lourenço Ramos da Costa. Por apresentar manchas, o animal teria recebido o nome de Surubim, numa referência ao peixe de aparência pintada.

Educação e preservação da memória

Autor do livro Surubim – A História de Todos os Tempos, Luiz Antônio explicou que decidiu pesquisar e escrever sobre o município por perceber a necessidade de reunir sua trajetória em uma obra específica. “Eu senti que fazia falta nós termos um trabalho exclusivo sobre Surubim”, explicou.


Para Medeiros, a educação desempenha papel fundamental na preservação desse patrimônio. “Surubim hoje precisa respeitar o passado, destacar as pessoas do passado e fazer, no presente, com que esse passado ressurja com outra roupagem, com outra ideia, com outras cabeças pensantes, mas sempre ligado ao passado”, defendeu.

Durante o programa, uma pergunta enviada por um ouvinte abordou a ausência de um museu dedicado à história do município. Luiz Antônio recordou o trabalho desenvolvido por Marisa Barbosa na tentativa de implantar um espaço desse tipo em Surubim. Segundo ele, a iniciativa não avançou, infelizmente, por falta de apoio.

De olho no centenário

A dois anos de completar um século de emancipação política, Luiz Antônio defendeu que o centenário seja uma oportunidade para ampliar a divulgação da história surubinense. “Nós estamos com Surubim com 98 anos. Eu tenho tempo ainda de viver esses 100 anos de Surubim, apesar da minha idade”, declarou.

Ao final da entrevista, o historiador foi convidado a resumir sua relação com o município em uma frase: “Surubim é o amor da minha vida”. Luiz Antônio também destacou o orgulho de sua origem. “Quando as pessoas me perguntam: ‘Professor, você é de onde?’, eu digo: ‘Eu sou de Surubim’. Eu sou da terra de Chacrinha, eu sou da terra de Capiba. Eu sou feliz por ser surubinense.”

A entrevista foi exibida no Café com Notícias, programa jornalístico da Rádio Surubim FM apresentado por Agnaldo Alves, Luiz Rocha e Paulo Lago.

Acompanhe a entrevista no Café com Notícias: https://www.youtube.com/watch?v=WXnF38UXCW4

Fonte: Portal da Cidade Surubim

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