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ELEIÇÕES 2026

Camila Falcão defende gestão popular e apresenta propostas da UP para governar Pernambuco

Pré-candidata ao Governo de Pernambuco pela Unidade Popular fala sobre saúde, educação, segurança hídrica, interiorização dos investimentos e participação

Publicado em 06/07/2026 às 20:00

A professora Camila Falcão será outra presença feminina na campanha eleitoral desse ano em Pernambuco (Foto: Divulgação/Unidade Popular)

Você sabia que Pernambuco tem outra pré-candidata ao Governo do Estado além da atual governadora, Raquel Lyra? A professora de História, Camila Falcão, vice-presidente da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) em Pernambuco, colocou seu nome na disputa eleitoral de 2026 defendendo uma plataforma voltada à ampliação dos serviços públicos, participação popular nas decisões do governo, valorização dos trabalhadores e oposição às privatizações. 

Natural de Vitória de Santo Antão, formada pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e moradora do Habitacional Ruy Frazão, no Recife, Camila tem trajetória ligada ao movimento estudantil e a organizações populares. Nesta entrevista ao Portal da Cidade Surubim, ela apresenta as principais propostas da pré-candidatura para áreas como saúde, educação, segurança hídrica, infraestrutura, desenvolvimento do interior e fortalecimento da economia popular.


PORTAL DA CIDADE SURUBIM: A Unidade Popular ainda é pouco conhecida por parte do eleitorado. O que é a Unidade Popular?

CAMILA FALCÃO: A Unidade Popular pelo Socialismo nasceu com o apoio de mais de 1,2 milhão de pessoas para defender os direitos da classe trabalhadora, combater as desigualdades sociais, o feminicídio, o racismo e todas as formas de exploração. Somos um partido que não recebe financiamento de empresários nem de banqueiros; nossa sustentação vem exclusivamente da contribuição dos nossos filiados e apoiadores. 


PORTAL DA CIDADE SURUBIM: Quais são as principais prioridades do seu plano de governo para Pernambuco e quais ações concretas a senhora pretende adotar nos primeiros anos de gestão?

CAMILA FALCÃO: As prioridades centrais da gestão nos primeiros anos baseiam-se em reverter a lógica de mercado nos serviços essenciais e combater a precarização social; Bloqueio imediato da privatização do metrô do Recife e do processo de concessão/venda da Compesa, restabelecendo o controle 100% público; Combate à violência de gênero com a expansão urgente do funcionamento das Delegacias da Mulher para 24h (atualmente apenas 7 das 15 existentes funcionam de forma ininterrupta no estado), com reforço de viaturas, efetivo e aparato psicológico/jurídico; alocação de recursos públicos diretamente para movimentos populares de moradia, combatendo o déficit habitacional e retirando famílias de áreas de alto risco ambiental; além da valorização do trabalho com o apoio institucional irrestrito ao fim da escala 6x1; e defesa de aumento de 100% do salário mínimo para recuperar o poder de compra da população.


PORTAL DA CIDADE SURUBIM: A Unidade Popular defende pautas como maior participação popular nas decisões do Estado e mudanças estruturais na economia. Como esses princípios seriam colocados em prática em Pernambuco e o que diferencia o projeto da UP das demais candidaturas?

CAMILA FALCÃO: A UP propõe a inversão do orçamento público. Em vez de destinar bilhões para o pagamento da dívida pública aos banqueiros ou gastar milhões em propagandas e shows, o governo estadual priorizará conselhos populares formados por trabalhadores e movimentos como o MLB e o Movimento Luta de Classes (MLC) para deliberar sobre investimentos em saneamento, transporte e creches. Vamos investir na ampliação da UPE, reforma das escolas com merenda de qualidade e professores e funcionários valorizados. Ampliar a atenção médica de hospitais e postos de saúde e valorizar os profissionais. O nosso diferencial é diferente de candidaturas que se aliam a empreiteiros, donos de bancos e que promovem privatizações de bens públicos, a UP é o único partido cujo programa não faz conciliação com a burguesia. O diferencial está em pautar uma ruptura com o modelo de exploração capitalista, organizando o povo diretamente nas ruas, fábricas e ocupações.

A pré-candidata a presidência pela UP, Samara Martins, com Camila Falcão


PORTAL DA CIDADE SURUBIM: O interior do estado, especialmente o Agreste Setentrional, frequentemente reivindica maior atenção do poder público. Como descentralizar os investimentos para que municípios menores não fiquem à margem das decisões do Governo do Estado?

CAMILA FALCÃO: Para que os municípios menores saiam da margem das decisões, a proposta da UP prevê o fim dos consórcios privados regionalizados. Extinção de consórcios intermunicipais de saneamento e água desenhados para entregar os serviços à iniciativa privada. Orçamento Regional Participativo: com a criação de assembleias populares regionais no Agreste e Sertão para definir onde as verbas estaduais serão aplicadas, descentralizando os recursos que historicamente ficam concentrados na Região Metropolitana do Recife. Na área de infraestrutura estatal propomos a criação de frentes públicas de trabalho regionalizadas para gerenciar e executar obras estruturais, gerando emprego nas próprias localidades.


PORTAL DA CIDADE SURUBIM: A agricultura familiar, a pecuária, o comércio, as feiras livres e o polo têxtil movimentam a economia do Agreste. Que propostas a senhora tem para fortalecer essas atividades, gerar empregos e ampliar oportunidades para a população do interior?

CAMILA FALCÃO: O polo têxtil e o comércio do Agreste sofrem severamente com jornadas exaustivas e informalidade. A prioridade é combater a escala 6x1, com aumento de 100% do salário mínimo e realizar fiscalizações rigorosas nas confecções e comércios para garantir o pagamento de FGTS, horas extras e fornecimento de EPIs. Vamos buscar também o apoio direto ao Pequeno Produtor, rompendo com o financiamento direcionado ao agronegócio e a grandes incorporadoras. Os recursos estaduais e o crédito devem ser canalizados para a agricultura familiar e para garantir infraestrutura digna (cobertura, segurança, saneamento) para feirantes e pequenos comerciantes locais.


PORTAL DA CIDADE SURUBIM: Moradores do Agreste ainda precisam percorrer longas distâncias em busca de atendimento especializado. Como ampliar e regionalizar os serviços de saúde, fortalecendo unidades que atendem a região e reduzindo a dependência da capital?

CAMILA FALCÃO: Vamos buscar o fortalecimento do Sistema Único de Saúde. Como partido que possui em suas bases trabalhadoras do SUS, especialmente na enfermagem, a UP defende o fim do repasse de verbas públicas para organizações sociais privadas (OSs) que gerenciam a saúde. Na infraestrutura no Interior vamos direcionar a receita do estado para a construção e aparelhamento de hospitais regionais de especialidades no Agreste, estancando a necessidade de deslocamento forçado de pacientes até a capital. A interiorização de profissionais visa garantir a contratação de médicos, enfermeiros e equipes técnicas por meio de concursos públicos estatutários com salários dignos, fixando os profissionais no interior do estado.


PORTAL DA CIDADE SURUBIM: A falta de abastecimento d'água e os efeitos das estiagens continuam sendo desafios para milhares de famílias. Quais medidas o seu governo adotaria para garantir segurança hídrica e melhorar a convivência com a seca no Agreste e no Sertão?

CAMILA FALCÃO: Defendemos a estatização total da Compesa, com a interrupção imediata da entrega da companhia de água a consórcios privados. Para a UP, a água é um direito humano e sua privatização encarece as tarifas e exclui a população de baixa renda. É fundamental a universalização pública do Saneamento, com Investimento massivo de recursos diretos do Estado na ampliação de redes de distribuição e adutoras para o interior. Na parte de infraestrutura de Convivência, buscaremos a implementação de programas estatais para a construção de cisternas, pequenos barreiros e sistemas de irrigação voltados exclusivamente para os assentamentos da reforma agrária e produtores da agricultura familiar, combatendo os efeitos da especulação e do coronelismo da água.

As pré-candidatas com Edival Nunes Cajá - ultimo preso político da ditadura militar e presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa


PORTAL DA CIDADE SURUBIM: Rodovias estaduais em más condições prejudicam a mobilidade, o acesso aos serviços públicos e o escoamento da produção. Qual é o seu plano para a recuperação e manutenção da infraestrutura viária do interior?

CAMILA FALCÃO: Defendemos a execução por empresas públicas, com a extinção do modelo de concessões de rodovias e cobrança de pedágios, que oneram o custo de vida e o escoamento da produção de pequenos agricultores e feirantes. Criaremos frentes estatais de trabalho para realização de obras de recuperação asfáltica e manutenção das estradas do interior através do fortalecimento do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) público. Isso viabiliza a contratação de trabalhadores desempregados das próprias regiões afetadas, garantindo direitos trabalhistas e salários justos.


PORTAL DA CIDADE SURUBIM: A juventude do interior enfrenta dificuldades para ingressar no mercado de trabalho e acessar o ensino superior. Que políticas públicas seriam implementadas para oferecer mais perspectivas aos jovens sem que eles precisem deixar suas cidades?

CAMILA FALCÃO: Pautamos a educação pública e acessível. Lutamos contra o sucateamento das escolas públicas e expansão de vagas na universidade pública no interior. Em relação a geração de emprego digno buscaremos fomentar postos de trabalho formais por meio de investimentos estatais em habitação popular (Reforma Urbana) e saneamento. Defendemos a campanha pelo fim da escala 6x1 com aumento de 100% do salário mínimo e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial visam garantir que o jovem trabalhador tenha tempo livre para estudar, acessar o ensino superior e viver plenamente em sua cidade natal, sem precisar migrar por pura sobrevivência.


PORTAL DA CIDADE SURUBIM: Por fim, a Unidade Popular ainda é um partido pouco conhecido por parte do eleitorado. Quais são os principais preconceitos ou equívocos sobre a legenda que a senhora pretende desconstruir durante a campanha?

CAMILA FALCÃO: Durante a campanha, a UP pretende desconstruir os seguintes equívocos propagados pela burguesia. O primeiro é o mito de que "não há dinheiro": o dinheiro público existe, mas é drenado para enriquecer banqueiros e grandes empreiteiras, enquanto o povo sofre sem creches, hospitais ou moradia. Em relação a rotulagem de extremismo, o partido defende que é preciso ser radical para impedir absurdos como o fato de as mulheres serem assassinadas por feminicídio; de que famílias percam a vida em deslizamentos previsíveis de encostas; ou que trabalhadores fiquem exaustos e adoeçam por burnout devido a escalas desumanas. E por último, organizar a classe trabalhadora para governar o próprio destino é, para a UP, a única saída real e justa.

Fonte: Portal da Cidade Surubim

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