A dor é uma experiência subjetiva, única e profundamente pessoal. Vai muito além de um “simples” sintoma físico — é também emocional e social, refletindo a forma como cada indivíduo percebe e lida com o seu sofrimento. De acordo com a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), ela é uma “experiência sensitiva e emocional desagradável associada, ou semelhante àquela associada, a uma lesão tecidual real ou potencial”.
Essa definição reforça que a dor deve ser compreendida de maneira integrada e individualizada, já que reflete não apenas o corpo, mas também a mente e o contexto de cada pessoa em sua vida.
De acordo com a médica Thamyres Cavalcante, a dor é hoje um problema de saúde pública. “Ela impacta diretamente a qualidade de vida, a produtividade e a economia. Envolve altos custos com consultas, medicações e procedimentos, além de gerar afastamentos do trabalho e redução de desempenho profissional”, explica.

Tipos mais comuns e seus impactos
Estima-se que entre 30% e 40% da população brasileira sofra com algum tipo de dor crônica, o que representa bilhões de reais em gastos anuais com tratamentos e benefícios previdenciários. Somente em 2024, os custos com benefícios por incapacidade ultrapassaram R$ 25 bilhões no país.
Entre as causas mais frequentes estão:
- Dor lombar, a principal causa de afastamento laboral no Brasil;
- Dores osteoarticulares, como artrose, artrite e tendinopatias;
- Fibromialgia, mais comum em mulheres adultas;
- Cefaleias crônicas, como a enxaqueca;
- Dores neuropáticas, como as causadas por diabetes;
- Dores inflamatórias e oncológicas, ligadas a doenças como endometriose e câncer.
“Na nossa região, especialmente em Pernambuco, as dores lombares e osteoarticulares são as mais prevalentes. Isso reflete fatores como o trabalho físico intenso, a má postura e a dificuldade de acesso a acompanhamento especializado”, observa a médica.

Quando a dor vira doença
A dor é dividida em aguda (com duração menor do que três meses) e crônica. Ela é considerada doença quando persiste por mais de três meses. Porque antes disso ela só é um sintoma. “A dor aguda é um sinal de alerta, mas a dor crônica é uma doença em si. Ocorrem alterações no sistema nervoso que mantêm a dor ativa mesmo sem uma causa evidente”, explica Thamyres.
Essa condição afeta não apenas o corpo, mas também a mente. “O sofrimento constante pode levar a ansiedade, depressão e isolamento social. Muitos pacientes relatam a sensação de perder o controle sobre o próprio corpo, o que abala a autoestima e os relacionamentos”, acrescenta.
Nos últimos anos, o tratamento da dor evoluiu para uma abordagem multidimensional e integrativa. Além dos medicamentos, o foco passou a incluir educação em saúde, terapias físicas, apoio psicológico e terapias complementares, como a acupuntura. “Houve grandes avanços com o uso de bloqueios, toxina botulínica, radiofrequência e neuromodulação — técnicas que proporcionam alívio duradouro e melhoram a função”, explica a médica.
A automedicação, contudo, é um hábito perigoso. “O uso irregular de anti-inflamatórios e analgésicos pode causar danos renais e gástricos, mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico. Tratar a dor exige acompanhamento médico contínuo e uma visão global do paciente”, alerta Thamyres.

Cuidar da dor é cuidar de si
Para prevenir dores recorrentes, a especialista recomenda hábitos saudáveis: praticar atividade física regular, manter uma alimentação equilibrada, cuidar do sono e da saúde emocional. “O tratamento eficaz da dor envolve uma equipe multidisciplinar, com fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e educadores físicos, cada um atuando de forma complementar”, destaca.
No Dia Mundial de Combate à Dor, celebrado em 17 de outubro, a mensagem principal é clara: viver com dor não é normal. “A dor é um sinal de que algo precisa de atenção. Enxergá-la como uma oportunidade de cuidado e transformação é o primeiro passo. Tratar a dor é resgatar autonomia, equilíbrio e qualidade de vida”, conclui a médica Thamyres Cavalcante.
SERVIÇO:
Dra. Thamyres Cavalcante
Médica | Medicina da Dor
Registro Profissional CRM nº 36.126 PE
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Atendimento
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