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EMOCIONAL

A dor do Luto: psicóloga reflete sobre perdas e o processo de recomeço

Especialista explica como o luto impacta física e emocionalmente e orienta sobre formas de vivenciar e apoiar quem sofre com essa dor

Publicado em 31/10/2024 às 20:29
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Psicóloga Manuela Melo aborda as fases do luto e a importância do apoio emocional (Foto: Portal da Cidade Surubim)

O luto é uma experiência que afeta intensamente as pessoas, tanto física quanto emocionalmente. Nas proximidades do Dia de Finados, uma data dedicada a homenagear aqueles que partiram, o Portal da Cidade Surubim traz uma reflexão sobre o tema "dor do luto". Em entrevista, a psicóloga Manuela Melo, especialista em Neuropsicologia e Logoterapia (terapia do sentido da vida), que atua na Funerária PAFF, compartilha como o luto vai além da perda de uma pessoa.

Segundo a especialista, a perda de algo significativo, também desencadeia o luto. “O luto não se limita à morte; pode ocorrer em situações de separação, desemprego. A perda significativa, sobretudo de alguém próximo, é a mais comum e impacta em diferentes aspectos do ser, causando problemas emocionais e físicos”, explica Manuela.

Ela esclarece que o luto tem diferentes fases, que nem sempre são experimentadas de forma linear. Essas etapas — como a negação, aceitação e outras — variam conforme a pessoa, com algumas se demorando mais em uma fase do que em outra. “As fases do luto servem como referência didática, mas não significam que todos passarão por cada uma delas na mesma ordem”, aponta a psicóloga.

Manuela destaca também a importância de permitir que as pessoas vivenciem o luto sem pressões para serem “fortes”. Segundo ela, é essencial respeitar o tempo e as emoções de quem está sofrendo. “Vivemos em uma sociedade que reprime o luto. Desde cedo ouvimos frases como ‘não chore’, ‘foi a vontade de Deus’. Mas o luto precisa ser vivenciado. Se a pessoa quer chorar, que chore; se quer falar, que seja ouvida. Cada um lida com o luto de sua forma, e o apoio social e familiar é fundamental para a aceitação e continuidade da vida”, orienta.

ACOMPANHAMENTO

A psicóloga revela que tem pessoas que tem um grau de inteligência emocional maior conseguem lidar melhor com suas próprias emoções. "Mas, para aquelas pessoas que não tem esse grau maior de inteligência emocional, destaco que todo e qualquer psicólogo tem capacidade de atender e acompanhar qualquer pessoa que esteja vivenciando o luto", acrescenta Manuela.


Outro aspecto que Manuela aborda é a diferença entre o luto por uma morte esperada e o luto por uma perda repentina. No caso de uma doença prolongada, ela menciona que o luto pode começar antes do falecimento, como uma forma de preparação. Em situações inesperadas, como acidentes, o processo de aceitação é mais lento e costuma ser mais doloroso. "Quando se trata de uma morte súbita, o suporte social e familiar torna-se ainda mais importante”, afirma.

Manuela também ressalta a necessidade de atenção para o luto patológico, quando a pessoa não consegue retomar a própria vida. “O sinal de alerta é quando a pessoa não consegue mais trabalhar, se alimentar ou realizar as atividades que gostava. Nesse caso, o luto requer acompanhamento psicológico e, muitas vezes, intervenção medicamentosa.”

A especialista reforça que há diferenças na vivência do luto conforme a idade. Crianças e adolescentes processam a perda de uma maneira distinta, muitas vezes pela falta de maturidade para compreender o que a morte realmente significa. “É comum no Brasil dizer que a pessoa virou uma ‘estrelinha’, o que é simbólico, mas é preciso também respeitar os limites das crianças. Perguntar se querem ir a um velório e, se optarem por ir, preparar o que vão encontrar, ajuda a evitar choques maiores”, acrescenta.

ATUAÇÃO NA PAFF

Manuela começou a atuar na PAFF em 2021, pouco depois do auge da pandemia da Covid-19. Esse trabalho começou focado em oferecer suporte aos colaboradores. "A equipe já estava bastante afetada, enfrentando o luto diário, sem as cerimônias tradicionais de despedida, fundamentais para o processo de aceitação", explica. Esse trabalho depois foi ampliado há cerca de dois anos para incluir o acolhimento às famílias, sempre que solicitado.

Para Manuela, é uma experiência gratificante, ajudar as pessoas nesse difícil momento. "Esse apoio auxilia as famílias a encontrar sentido e a seguir em frente, mantendo viva a memória de quem partiu. Apesar da perda, ajudamos a construir um novo significado para a continuidade da vida, preservando o vínculo afetivo que permanece, ainda que a presença física não esteja mais ali".

A psicóloga conclui que o luto é um processo único para cada indivíduo e, embora a dor nunca desapareça completamente, com o tempo, é possível redescobrir a vida. “A pessoa que se foi sempre ocupará um espaço importante, mas é possível dar novo significado à existência e seguir em frente, mantendo viva a presença afetiva que continua dentro de nós”, complementa.


SERVIÇO:

Manuela Melo - CRP-PE nº 02/18.175

Psicóloga, especialista em Neuropsicologia e em Logoterapia (terapia do sentido da vida)

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