CUIDADOS
Dor não é normal: médica alerta para sinais que não devem ser ignorados
Thamyres Cavalcante explicou no Café com Notícias quando a dor exige investigação e alertou para os riscos da automedicação
Publicado em 21/09/2026 às 19:30
A dor não deve ser encarada apenas como um incômodo a ser eliminado com medicamentos. Dependendo da duração, intensidade e dos impactos provocados na rotina, ela pode indicar um problema que precisa de investigação e tratamento. O alerta foi feito pela médica Thamyres Cavalcante, pós-graduada em Medicina da Dor, durante entrevista ao programa Café com Notícias, da Rádio Surubim FM.
Na conversa, a médica explicou que a dor funciona inicialmente como um sinal de alerta do organismo. Uma das principais diferenças observadas na avaliação do paciente está entre a dor aguda e a crônica. Em geral, a primeira está relacionada a situações recentes, como traumas e lesões, enquanto a segunda persiste por mais de três meses.
“A dor crônica, a gente passa a chamar que já é um adoecimento. É aquele paciente que vem sentindo uma dor há meses, há mais de três meses, há anos. O seu cérebro está acostumado a todo dia sentir aquela dor. Já virou uma rotina, mas a gente não pode normalizar essa rotina”, explicou.

Dor não deve ser atribuída apenas à idade
Durante a entrevista, Thamyres chamou atenção para a tendência de algumas pessoas associarem dores persistentes ao envelhecimento ou ao histórico familiar. Segundo ela, embora o avanço da idade possa estar relacionado a processos degenerativos naturais do organismo, sentir dor continuamente não deve ser considerado algo normal.
A atenção deve ser ainda maior quando o problema começa a comprometer atividades comuns e a qualidade de vida. “Se ela está atrapalhando sua qualidade de vida, seu sono, você sair com seus filhos, seu futebol do final de semana, isso merece chamar uma atenção. É uma dor que precisa, sim, procurar um especialista para tratar”, destacou.
Entre os problemas mais comuns encontrados nos atendimentos estão as dores musculoesqueléticas, como lombalgia, dores cervicais e nos ombros, alémde tendinites, fascite plantar (inflamação da fáscia que recobre a sola do pé), cefaleias, como a enxaqueca, e até fibromialgia.

No caso das dores de cabeça, alguns sinais precisam ser observados com maior cuidado. Uma cefaleia muito intensa, diferente das crises já conhecidas pelo paciente ou acompanhada de outros sintomas pode exigir atendimento de emergência. “Tem muitos pacientes que já chegam assim: ‘Doutora, eu tenho uma dor de cabeça, mas essa dor é pior. Essa dor eu nunca senti na minha vida’. Essa dor merece uma emergência”, alertou.
Fibromialgia e a chamada “dor invisível”
Outro tema abordado foi a fibromialgia. Thamyres explicou que o problema nem sempre aparece nos exames de imagem, o que pode fazer com que a dor relatada pelo paciente seja incompreendida por outras pessoas. “Muitas pessoas ainda acreditam que quem tem fibromialgia não sente a dor da forma como relata. Chegam a dizer: ‘Ah, isso é frescura’. Mas não é. Muitas vezes, essa dor pode parecer ‘invisível’, porque não aparece nos exames. Mas ela existe e é real”, afirmou.
Segundo a médica, o diagnóstico é clínico e considera um conjunto de características, como dores em diferentes partes do corpo, fadiga, dificuldade de concentração, alterações de memória e sono não reparador.

Aplicação de Mesoterapia
O tratamento também não deve ficar restrito aos medicamentos. A abordagem pode envolver diferentes profissionais, incluindo fisioterapeuta, psicólogo e nutricionista.
Ansiedade, estresse e sono também interferem na dor
A relação entre saúde mental e percepção da dor também ganhou destaque. De acordo com Thamyres, ansiedade, estresse e problemas relacionados ao sono podem contribuir para aumentar ou desencadear quadros dolorosos.
Isso não significa, ressaltou, que a dor seja imaginária. “Não é que é da cabeça, que você coloca que está sentindo dor e é mentira do paciente. Não. Mas a dor interfere na questão da ansiedade, da saúde mental”, explicou.
Segundo a médica, pode surgir um ciclo em que a pessoa dorme mal porque sente dor e, ao mesmo tempo, a má qualidade do sono contribui para que ela sinta mais dor durante o dia.
A intensidade relatada pelo paciente também nem sempre corresponde às alterações encontradas nos exames. “A gente não trata o exame, a gente trata a dor”, resumiu Thamyres. Há pacientes com alterações significativas em exames de imagem e poucos sintomas, assim como pessoas que apresentam dores intensas mesmo sem alterações proporcionais nos exames.
Automedicação pode trazer consequências
Um dos principais alertas foi direcionado ao uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios sem acompanhamento médico. Para Thamyres, tomar medicamentos repetidamente para mascarar a causa que levou a dor
A médica destacou possíveis prejuízos ao estômago, rins e fígado decorrentes do uso inadequado e frequente de determinadas medicações. “Você tem que se enxergar daqui a uns anos, como é que você vai estar. Agora pode não dar nenhum efeito no seu organismo. Mas daqui a cinco, dez anos, vinte anos, como é que vai estar seu organismo? Como é que vão estar seus rins, seu fígado?”, questionou.

Por isso, a recomendação é buscar a origem do problema, especialmente quando a dor se torna recorrente. “A gente precisa investigar a causa daquela dor, a origem. Porque não é apenas tratar”, reforçou.
Tratamento vai além dos medicamentos
A Medicina da Dor dispõe atualmente de diferentes possibilidades terapêuticas. Além do tratamento farmacológico, existem outras possibilidades terapêuticas, como procedimentos minimamente invasivos e intervenções específicas para o controle da dor.
Entre as abordagens citadas pela médica estão a mesoterapia, o agulhamento a seco associado ou não à eletroestimulação, a terapia por ondas de choque, o uso da toxina botulínica — com destaque para sua aplicação no tratamento da enxaqueca —, infiltrações, o PRP (plasma rico em plaquetas), entre outras opções, sempre avaliadas de acordo com a indicação de cada paciente.
O tratamento também pode envolver o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, com profissionais como fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, entre outros, de acordo com as necessidades de cada paciente.
A médica destacou também medidas cotidianas que podem contribuir para a qualidade de vida. Entre elas atividade física — após avaliação e com acompanhamento adequado —, alimentação equilibrada e sono de qualidade.
A principal orientação, no entanto, é não permitir que uma dor persistente passe a ser vista como parte inevitável da vida. “A dor pode fazer parte da sua rotina, mas você não deve permitir que ela comande a sua vida, suas escolhas e seus planos”, concluiu.
SERVIÇO:
Dra. Thamyres Cavalcante
Médica | Medicina da Dor
Registro Profissional CRM nº 36.126 PE
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ATENDIMENTO:
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Fonte: Portal da Cidade Surubim
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